Crer sem Ver: O Privilégio de Conhecer a Cristo pela Fé

Crer sem Ver: O Privilégio de Conhecer a Cristo pela Fé

Muitos caminharam ao lado d’Ele, ouviram Sua voz e até dividiram o pão, mas morreram sem O conhecer de verdade. Olharam para o próprio Deus encarnado e não foram tocados. Que oportunidade perdida!

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Imagine caminhar pelas poeiras da Galileia, esbarrar em um homem comum e não saber que seus olhos cruzaram com o brilho da eternidade. Muitos viram os milagres, ouviram a voz que criou as estrelas e, ainda assim, o viram apenas como o "filho do carpinteiro".

Muitas vezes nos pegamos imaginando: "Como teria sido estar lá?". Imaginamos o tom de voz de Jesus, o brilho em Seus olhos ao curar um enfermo, ou o silêncio que se instalava quando Ele começava a ensinar. No entanto, essa curiosidade esconde uma realidade profunda e, para muitos, trágica: a oportunidade de estar diante do Criador e, ainda assim, não vê-Lo.

Houve homens e mulheres que dividiram o pão com Jesus, que sentiram o calor do sol da Galileia ao lado d'Ele e que ouviram o bater do Seu coração humano. Contudo, para muitos desses, Jesus foi apenas um carpinteiro, um revolucionário ou, no máximo, um profeta intrigante. Eles tiveram o privilégio de olhar para o próprio Deus encarnado, mas seus corações estavam vendados.

Essa é a maior "oportunidade perdida" da história humana. Estar no raio de alcance da Salvação e permanecer na morte. Ao passarem para a eternidade, o choque deve ter sido indescritível: reconhecer que Aquele que agora os julgava era o mesmo que, dias antes, lhes oferecia descanso e água viva nas ruas de Jerusalém.

Como nos lembra o apóstolo João:

"Ele estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam." (João 1:10-11).

O Privilégio dos que Creram

Em contrapartida, havia aqueles cujo olhar ia além da superfície. Para estes, o encontro com Jesus não foi apenas um evento histórico, mas uma transfiguração da alma. Quando João escreve sobre o privilégio da filiação divina, ele fala de uma transformação que começa no reconhecimento de quem Jesus realmente é:

"Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus." (João 1:12-13).

Para esses, a morte não foi um susto, mas um reencontro. Ao fecharem os olhos para este mundo e abrirem na eternidade, eles não viram um estranho; viram o Salvador que já conheciam pelo partir do pão e pela comunhão diária.

O Legado para os que Não o Viram

E quanto a nós? Vivemos em uma era de ausência física. Não podemos tocar nas Suas vestes ou ouvir a acústica da Sua voz no Mar de Tiberíades. No entanto, Jesus não nos deixou em desvantagem. Antes de Sua partida, Ele estabeleceu uma nova forma de presença, mais íntima e onipresente.

Ele nos deixou o Seu Espírito, o "Selo" que garante que Ele está conosco, não ao nosso lado, mas dentro de nós. Ele nos deixou as Suas palavras, que não são meros registros históricos, mas "espírito e vida".

"Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." (João 14:26-27).

Jesus sabia que as gerações futuras — eu e você — precisariam de uma âncora que a visão física não poderia oferecer. A visão física pode ser enganosa, mas a habitação do Espírito é transformadora.

A Bem-Aventurança do Crer no Invisível

Chegamos, então, ao ponto mais alto da nossa caminhada: a fé. Existe uma benção especial reservada para quem decide confiar na Palavra, mesmo sem o suporte dos sentidos. É uma "categoria" de felicidade que os contemporâneos de Cristo talvez não tenham experimentado da mesma forma que nós.

Após Sua ressurreição, no encontro com Tomé, Jesus selou essa promessa para todos os séculos seguintes:

"Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram." (João 20:29).

Essa bem-aventurança é o nosso combustível. Hoje, nós cremos no Salvador mesmo sem tê-Lo visto. Nós O amamos sem termos tocado em Suas mãos feridas. E é justamente essa fé "no escuro" que ilumina o nosso caminho.

Quando chegar o nosso momento de atravessar o véu da morte, não haverá surpresa. Apenas o reconhecimento doce de um rosto que, embora nunca visto com os olhos de carne, foi contemplado todos os dias com os olhos do coração.

Se hoje fosse o seu encontro face a face com a Eternidade, o rosto de Cristo seria o de um estranho que você ignorou nas entrelinhas da vida, ou seria o reencontro doce com o Amigo que você aprendeu a reconhecer no silêncio da oração?

Espero que essa reflexão possa ter te trazido alegria, pois, embora nossos olhos ainda não tenham contemplado a face de Cristo, o nosso coração já conhece a Sua voz. A maior prova de que Ele vive não está no que vimos no passado, mas na transformação que Ele opera em nós no presente através de sua palavra e experiências que temos com Ele. Que a alegria de ser chamado de FILHO e de 'bem-aventurado' por não ter visto e ainda assim crermos, seja a força que conduz os seus passos até o dia em que a fé finalmente se tornará visão, e o nosso Redentor nos receberá com o mesmo amor que Ele plantou em nós.

Deus abençoe.

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